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Ah tá..




 
   
 
17 dezembro 2006

Água do céu


Sempre digo falar da cidade de São Paulo, é falar no superlativo. E de fato é superlativo, pois tudo aqui acontece de modo grandioso. E as vezes catastrófico.

Vejamos sobre a chuva que esta Voz que vos fala, levou na cabeça a uns dias atrás:
São Paulo é a terra da garoa, todos sabemos. No superlativo, eu diria que é a terra da enxurrada. Trabalhar na região que mais alaga em Sampa, é deveras assustador.

Era um dia normal, bonito até, sol na hora do almoço, os passarinhos cantavam e as buzinas soavam como música aos meus ouvidos paulistanos. Avenida lotadaça, trânsito e CO²... o que mais eu poderia querer?

Cai a tarde, e lembro: "vou sair mais cedo porque tenho trabalhos para terminar". Dois minutos depois despencam anjos do apocalipse do céu. Digo que despencaram porque a força da água que começou a cair foi tão forte que derrubou as criaturas de lá, como uma descarga de banheiro de boteco.

Como a teimosia é um traço marcante eu não poderia deixar de sair na chuva, afinal "quem tem medo de chuva é de açúcar" e eu detesto essa gente fresca, humpf.
Saí na porta da empresa e vi o dilúvio: Caos generalizado, carros andando mais rápido que o normal, poças d'água CRATÉRAS d'água em todos os lugares, e a chuvinha caindo. Óbvio que saí na chuva, afinal era apenas uma chuva besta, fácil de driblar.
Aparentemente havia algo predestinado para mim, bastou que eu colocasse o pé do outro lado da rua - onde já não havia toldos nem telhados para se esconder - para a chuva mostrar sua verdadeira face, a face de cachoeira enrustida que ela havia ocultado todo esse tempo apenas para se divertir com os pobres mortais.

O peso da água era brutal, parecia que caiam bexigas d'água do céu, gotas colossais que despencavam de forma tão hostil que chegavam a causar dor na cabeça!

Corri até onde pude para me esconder mas mesmo assim a chuva que nesta altura estava sendo empurrada pelo vento, vinha lateralmente atingir meus pobres tênis. Assim que consegui me esconder completamente da chuva a desgraçada amenizou até parar. Em menos de um minuto a chuva tinha acabado, e eu levado um belo banho urbano.

Prossegui então na caminhada rumo ao metrô, já com ódio do mundo, querendo matar o primeiro fiodaputa que passasse na minha frente.
Quando já estava me livrando do mau humor repentino, aconteceu o que eu temia.

-- Pausa para nostalgia: Consegui arrancar risos de muitos ao descrever tal desgraça em meu antigo blog, então repetirei a dose a seguir. ---

Lá estava a água acumulada na guia, e os pneus passavam assoviando perto dela para causar-lhe angústia. Eis então que o artefato de borracha revestindo a roda do carro se aproxima e a água em pânico gritava, pois sabia que seu fim estava perto.
Enquanto isso, alheia a cena, a Voz caminhava pensando sobre como o cheiro dentro do metrô lotado estaria ruim, graças a centenas de pobres molhados tumultuando.
E então ocorre o fatídico esperado: O pneu. A água. A física (maldita física!).

O caminhão passa com a roda na água, que espirra toda para uma única direção: A minha. Eu já sabia que por mais longe que eu estivesse ela me atingiria, era destino, só pode.
Então levei uma bela onda de água barrenta, e a única parte que consegui salvar foi a orelha, que cobri com um livro que carregava.

Resultado: Me uni aos outros pobres molhados no metrô, para ajudar na evaporação da água na sauna improvisada que os usuários fazem ao fechar TODOS os vidros.

Triste, muy triste!

Disse a Voz -