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02 fevereiro 2007

Bizarrices


Às vezes me sinto como se tivesse num filme brasileiro dirigido por um daqueles diretores bizarros (diretor esquisito é redundância), onde a maioria dos coadjuvantes é louco, drogado, pobre ou tosco de alguma forma.
Não sei se as pessoas tem esse costume, mas eu ando na rua reparando em coisas simples. Reparo em stickers, reparo nas pichações, reparo nos defeitos da calçada e nas pessoas toscas a minha volta (Acho que aí está a explicação para eu não decorar caminhos).

Bom, de qualquer maneira ultimamente parece que as pessoas estão mais insanas que o costumeiro. Ou eu, por estar andando mais devagar, estou reparando mais nessas coisas. Fato é que aparentemente eu atraio esse tipo de gente, como aquele "imãzão" da ilha de Lost.

Por onde eu ando tem malucos falando sozinhos, gente que anda de forma muito bizarra e passa xingando, pessoas super bem vestidas dormindo na rua (?!), gente que anda perguntando coisas aleatórias, chega a dar medo.

Cheguei a formular teorias para raciocinar a falta de senso dos outros, algo como expressão corporal dos moradores da cidade que não condiz com a cultura do resto do país e afins. Vamos aos exemplos para que todos me compreendam melhor:

Exemplo 1
Local: Saída do Metrô
Caminhando em direção ao trabalho, ouvindo música muito alta tranquilamente, me deparo com uma mulher estranha balbuciando algo.
O som estava tão alto que eu acreditava ser audível a no mínimo num raio de 10 metros.
Mas a mulher continuava ali, me acompanhado e gesticulando, falando algo que eu não entedia. Só podia reparar na boca dela mexendo e ela gesticulando, apontando, tão idiota que se fosse filmado eu dublaria a pobre alma com diversas falas engraçadas.
Então, eu já de saco cheio da tentativa falha de comunicação, tirei os fones e ouvi a criatura agoniada:
- Aquele trem!
- Que?
- Aquele trem ali, ele vai pro Tatuapé?
Pensei: PUTA MERDA...
- Não sei, creio que vai, por que?
- Não sei, só queria saber mesmo...
STRESS: - Porra, por que não vai lá dentro e pergunta, então?
Saí andando.

Exemplo 2
Local: Rua brutalmente movimentada
Caminhava então, de volta ao metrô para chegar em meu lar, novamente com o som no último volume.
Então, alguém se aproxima:
- blá blá bla?
Sim, parecia um déjà vu, novamente alguém gesticulando e eu sem compreender o que a desgraçada alma queria.
Tirei os fones:
- Você sabe?
- Sei o que?
- Onde fica essa rua?
Pensei: PORRA, 350 PESSOAS CIRCULANDO NESSA RUA, E VEM FALAR JUSTO COMIGO?
- Não, não sei. Não moro aqui.
- Mas não sabe dizer?
- Não moro aqui.
- Nem ponto de referência?
- Não moro aqui.
- E essa outra?
- Não moro aqui...
- Ah, obrigado.

Exemplo 3

Local: Caminho do Restaurante para o almoço
Estava sem os fones de ouvido, felizmente. Voltando para o trabalho, vejo um cara com bichos de pelúcia.
Como de costume, milhares de transeuntes inocentes passeando e o alvo novamente sou eu, para variar.
O carregador de pelúcias para ao meu lado e diz alegre:
- Oi! Quer ganhar um sapo de pelúcia?
- NÃO!
- Então, assina essa rifa aqui... assina 3 e paga só 2 assinaturas.
- Não quero, valeu.
- Mas é promoção!
- Não quero.
- Mas olha, é o keroppi (porra, não sei nem escrever o nome do sapo de anime maldito)
- Não, não quero.
- Mas não quer nem assinar uma rifa só então?
- Não, porra. Não quero sapo, não quero rifa, merda.
- E esse urso? É de outra rifa...
- Olha, meu caro, de onde você vem?
- Sergipe.
- Então volte para lá e venda por lá, certamente vai lucrar mais do que aqui.
- Ah beleza... talvez venda mesmo.
- Ótimo, faça isso!
- Falou!

Definitivamente, eu não mereço isso. Vou usar disfarce nas ruas a partir de hoje.

Disse a Voz -