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15 março 2007
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Fanatismo Hoje é o grande dia. Você se levanta e se sente como se fosse o maior, grandioso, dono do mundo. Liga a TV enquanto toma o café e logo vê na tela a sua paixão. Sim, está lá na TV sendo idolatrado por milhões iguais a você e isso lhe faz sentir melhor ainda.
A ansiedade é imensa, aquele frio na barriga é incontrolável. E como hoje é o grande dia, então, nada mais justo do que vestir-se a caráter. Ao vestir aquela camisa, você é um ser único. É o melhor, é invencível. Ninguém pode te deter, o amor e o fanatismo se unem e naquele momento, você é superior aos seus inimigos.
O caminhar é notório. Destacado, diferente, altivo. O olhar de desdém aos rivais é amendrontador. Afinal, ninguém pode contrariar tamanha paixão, você está servindo ao melhor do mundo e quem ousar discordar pode sofrer os infortúnios da paixão revertida em ódio insano.
Agústia e ansiedade aumentam, e ir de encontro aos semelhantes é necessário. Compartilhar a emoção e vibrar a cada passo de seu "deus" é imprescindível. Cada vez mais perto da arena do espetáculo, a alegria e o furor da massa é um show a parte. Todos são iguais a você e compartilham a mesma paixão. O amor incondicional o faz ser bem quisto por todos e essa relação de mútua admiração é singular. Raça, cor, credo, ideologias, nada disso interessa. Não faz diferença. O importante é a devoção àquele que lhe fará gritar de alegria, lhe tirará a voz num lance de segundos e trará lágrimas de emoção aos seus olhos.
Você adentra o estádio. O coro de vozes gritadas em fúria faz tremer o chão. Não se pode mais ouvir sua própria voz, ela é apenas mais uma na multidão que vibra em euforia. Seus braços, pernas, espinha arrepiam e você é levado para as arquibancadas que anseiam o espetáculo.
Agora, você não é mais o dono do mundo. É apenas uma célula que compõe o gigante. A massa inflama em gritos ritmados. Todos compartilham a mesma linguagem, a mesma paixão, a mesma camisa. Tudo é igual. As músicas estão na boca de todos, todos sabem e cantam incessantemente. Não existe mais o indivíduo e isso, por mais estranho que pareça, é ótimo.
As células todas lutam para manter o gigante vivo. Você é parte de um todo, parte da massa, mas luta e vibra ao máximo para ser a célula mais destacada. E todos fazem o mesmo, tornando a sua torcida a única, a melhor, a mais apaixonada.
O momento do gol é o êxtase geral, a adrenalina vai a mil e é impossível conter a euforia e a vontade de gritar e cantar até perder as cordas vocais.
Todo tipo de emoção é descarregada ali. O estádio serve como um balde de emoções contidas do dia-a-dia. A racionalidade dá vez a paixão e ao ódio contra o inimigo e até morrer pelo time é justificável naquele momento (leia bem: naquele momento). Estando com a adrenalina a mil, psicologicamente você é superior. Não há dor, não há cansaço. Pessoas batem no peito em direção ao símbolo de seu time com força máxima e não sentem dor, correm, pulam até a quase exaustão para comemorar um título e não se importam. Afinal, onde mais você poderia gritar, xingar, pular, cantar e chorar em meio a uma multidão que também faz o mesmo?
A relação amor-ódio é constante e aquele que for contrário a toda essa explosão de sentimentos deve ser "anulado". Daí brigas por futebol surgem naturalmente, quase que institivas, irracionais, desumanas. Não há espaço para raciocinar naquele momento. São grupos de humanos que juntos são "iguais" lutam pela mesma causa e com a mesma empolgação. Não que isso seja o correto, muito pelo contrário. Mas faz parte do conjunto.
E você, chega em casa cansado e feliz e volta para a sanidade depois de uma boa noite de sono.
Tá aí a minha tentativa de exemplificar o fanatismo por futebol, para os que não são fanáticos. Marcadores: futebol
Disse a Voz -
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