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15 outubro 2007

Da preguiça de viver


Há algum tempo - logo após o término do colegial - venho colecionando amigos depressivos. Aliás, não só depressivos como com diferentes problemas psicológicos ou stress em níveis absurdos. Notei esse padrão faz pouco tempo, mas isso certamente é um problema que vem de anos luz atrás.

Talvez desde sempre eu soubesse o destino deles todos. Talvez desde minhas reclamações, de minhas duras críticas a algumas decisões alheias, de meus incentivos para que saíssem do lugar, para que saíssem da mesmice, até meus surtos intolerantes (as vezes imperdoáveis, infelizmente) de mandá-los tomar no olho do cu, eu soubesse que no fundo eles caminhavam para um abismo do qual eu não poderia tirá-los.

Digo isso porque, salvo alguns que posso contar nos dedos de uma mão (e ainda sobram dedos) que tentaram não seguir pelo caminho do tédio provocado, do ócio pela preguiça, da falta de vontade de fazer qualquer coisa que exija a mínima dedicação, o resto simplesmente decidiu que não viver era legal.

Não digo que quero os ver vivendo 100 anos em 20. Mas não quero que vivam 20 anos em 100. Talvez viver 80 anos em 80, é uma boa. Para que partir para os extremos? Não há necessidade.
Só fico de fato preocupada ao imaginar todos solitários aos 50 anos, enfurnados em frente a uma TV (ou computador, tanto faz) enquanto a vida passa. Afinal, desde sempre tive a impressão que na verdade era tudo preguiça de viver.

Mesmo porque sempre me intrigou o fato de pessoas preferirem ver TV ao sair num fim de semana para ver um filme fora de casa. O fato de preferirem dormir 2 dias seguidos a se arriscarem indo a um estádio, indo numa festa para se divertir, passando o dia com amigos e conhecidos rindo. De fato muitos ainda vão para a lista de amigos depressivos por conta própria. Um self-owned dos maiores. Algo como preferir dormir no deserto, tendo a opção de ir para um oasis.

E lá na frente, verei uma legião de gordões chorando em casa reclamando da vida, da falta de amigos, da solidão e da vontade que tem de viver, quando desde o começo a escolha sempre dependeu deles. A vida passando com dias em branco, dias nos quais não se lembra o que se fez, ou se fez a mesma coisa nos 365 dias do ano: nada. (Trabalho conta? Acho que não.)
Me sinto, muitas vezes, de mãos atadas para ajudá-los. Não por falta de tentar, mas por falta de vontade de todos.

E no fundo já cansei da má vontade generalizada, da preguiça coletiva. Assim que puder, mandarei-os tomar no olho do cu, como demonstrativo de minha compreensão.

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